Como posso ajudar

Imigração

Emigrar mexe com muito mais do que a morada. Percebe o impacto emocional de um processo de imigração e como a terapia pode ajudar a atravessá-lo.

Muito mais do que uma mudança de morada

Emigrar é, ao mesmo tempo, um recomeço e uma perda. Além de todos os desafios práticos — documentos, trabalho, casa, idioma — há um lado emocional que costuma ficar em segundo plano: deixar para trás pessoas, rotinas, referências e uma forma de pertencer que levou uma vida a construir-se.

É normal sentir entusiasmo e, ao mesmo tempo, tristeza, saudade ou até culpa por teres saído. Estes sentimentos podem coexistir, e não há nada de errado em senti-los todos ao mesmo tempo.

Sinais que costumam aparecer no processo de imigração

Cada percurso é único, mas há vivências frequentes em quem está a atravessar um processo de imigração:

  • Saudade intensa, por vezes acompanhada de culpa por ter saído ou por estar “bem” longe de quem ficou.
  • Sensação de não pertencer a lado nenhum — nem ao país de origem, nem ao novo país.
  • Ansiedade relacionada com burocracia, trabalho ou estabilidade financeira.
  • Dificuldade em criar novos laços, ou sensação de solidão mesmo rodeado/a de gente.
  • Questionamento da própria identidade, sobretudo quando a língua ou a cultura do dia a dia mudam por completo.
  • Cansaço acumulado de estar sempre “a adaptar-se” a algo novo.

Reconheceres-te nestes pontos não é sinal de fraqueza — é uma resposta esperada a uma das mudanças mais exigentes que uma pessoa pode atravessar.

Como a terapia pode ajudar

Um processo de imigração mexe com a forma como nos vemos e como nos relacionamos com o mundo. Na abordagem psicanalítica, este é um espaço particularmente importante para trabalhar: perceber o que ficou por elaborar na despedida, dar lugar ao luto pelo que se deixou para trás, e construir, com tempo, uma identidade que integre as duas partes da história — de onde vieste e onde estás agora.

Terapia, neste contexto, não é “aprender a esquecer” o que ficou para trás, mas encontrar um lugar interno onde as duas realidades possam existir sem se anular.

O que esperar de um acompanhamento

As sessões podem ser presenciais em Lisboa ou online — uma vantagem particular para quem está a construir uma vida nova e nem sempre tem disponibilidade ou estabilidade para se deslocar. O objetivo é criar um espaço de escuta onde possas falar, na tua língua, sobre tudo o que esta mudança está a trazer, sem pressa de “estar bem” antes de estares pronto/a.


Este texto tem um propósito informativo e não substitui uma avaliação clínica individual. Se sentes que o processo de imigração está a pesar mais do que consegues carregar sozinho/a, o melhor passo é falar com um profissional.

Felypph Santos
Sobre o autor Felypph Santos Psicólogo Clínico · OPP 27734 · EuroPsy

Psicólogo clínico com Mestrado reconhecido pela Universidade do Minho e Certificado Europeu de Psicologia (EuroPsy). Escrevo sobre os temas que trabalho todos os dias em consultório — ansiedade, depressão, imigração e autoconhecimento — com a mesma abordagem psicanalítica das minhas sessões.

Se sentes que é a altura certa de falar com alguém, dá o primeiro passo.

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